Conversa con Valentim Fagim (AGAL)

(Conversa con Valentim Fagim, da AGLP e AGAL, publicada no blog Nosquedaportugal o 28 de xuño de 2010)
O pasado 25 de xuño celebramos o primeiro aniversario do blog Nosquedaportugal, blog que pretende axudar ao coñecemento mutuo de Galiza e a lusofonía, coa filosofía de que o noso futuro económico e a nosa língua e cultura propias pasan por aproveitar a emerxencia de Brasil e o novo marco que -na Eurorrexión da Europa sen fronteiras- conformamos có Norte de Portugal.

Para celebrar este primeiro aniversario, parecíanos xa imprescindible abordar o, probablemente, tema máis espiñento de todos os relacionados có galeguismo e a súa abertura ó exterior, e que tamén é o que máis sentimentos enfrontados xenera: o reintegracionismo lingüístico. E que mellor xeito de facelo, entendemos, que mediante unha conversa có principal representante do reintegracionismo: Valentim Fagim.

Valentim Fagim para Nosquedaportugal
Fonte propia.

Valentim Fagim (9 xullo 1971, Vigo) é licenciado en Filoloxía Galego-Portuguesa, diplomado en Historia e de 2001 a 2009 exerce de profesor de portugués na Escola de Idiomas de Ourense. Membro desde 2008 da Academia Galega da Língua Portuguesa, AGLP, e desde o ano 2009 é presidente da Associaçom Galega da Língua,AGAL.

Valentim tivo a xentileza de nos convidar a Caralladas -nosquedaportugal- e máis a Diego –Conversas Galegas– a un chá no seu domicilio en Santiago de paso que celebrabamos a conversa que pasamos a compartir con todos vós. Conversa que agardo sirva para tender pontes entre todos os que, pensando de xeitos diferentes (reintegracionistas, isolacionistas, galeguistas, independentistas, de esquerdas, de dereitas ou que non saben de que van), loitamos por unha mesma meta -a normalización da nosa língua no noso país- e deberiamos comezar a entendernos e remar pola nosa língua todos na mesma dirección dunha santa vez.

(nota: tentei reproducir as verbas de Valentim nunha normativa que non domino. Desculpas polos erros. E que desfrutedes da conversa)UM POUCO DE HISTÓRIA…

Caralladas: Nos anos 80 adoptouse a actual normativa da língua fronte a reintegracionista. Como foi aquela ‘batalla’?

Fagim: Essa é umha parte da história que nom se conhece muito. No ano 80 a pré-Xunta encomendou a umha equipa, com Carvalho Calero de coordenador, fazer umha normativa para o galego. Em breve o galego ia entrar no ensino, na administraçom, e fazia falta umha norma. Carvalho Calero organizou umha equipa onde havia gente de todos os ámbitos, reintegracionistas, ILG, etc.

Fizérom umha norma bastante elástica, no sentido de que podias usar ao/ó, ble/bel, ou aceptava as duas formas de acentuaçom (portuguesa e espanhola), o qual do ponto de vista prático podia ser um pouco caótico, mas o realmente interessante era a vontade de somar. Infelizmente houvo movimentos do ILG por detrás. Dous anos depois aprova-se umha norma que foi a oficial em que a proposta pola equipa de Carvalho Calero nom se tivo em conta.

O interessante é que se umha pessoa externa apanha as duas normas nom som moi diferentes, o diferente é a filosofia. Por exemplo, conserva-se algum manual escolar com a norma de Carvalho Calero, e na página 16 aparece um mapa ‘a nosa língua no mundo’ onde aparece o Brasil, Portugal, Angola, etc. Nos manuais escolares que se fam a partir do ano 83, a nossa língua no mundo já sabedes qual é…

C: …chega ata Tui e grazas…

F: as quatro provincias e ponto. A diferença nom era tanto umha questom técnica como ‘a onde se queria chegar’.

C: E onde estaba Valentim Fagim daquela?

F: (risos) Eu tinha 12 anos ainda!! Eu depois lim muito sobre o tema, mas esse é o problema, que nom se conhece. Porque isso é história, e a história nom a podes apagar. Se a gente conhecesse essa parte da história seria um bocado mais equánime.

C: Había daquela algún tipo de organización do que é hoxe chamado ‘reintegracionismo’?

F: O mesmo ano que nasce o galego oficial atual nasce a AGAL, um bocado antes, em 1981. Eram um grupo bastante heterogéneo, o problema é sempre um problema de ‘velocidades’, a que velocidade temos que ir, os que defendiam usar já a ortografia portuguesa, os que nom, etc.

C: E visto con perspectiva, ano 2010 cara atrás, pensas que a estratexia adoptada daquela polo reintegracionismo lingüístico foi a mellor que se puido ter feita? Terias mudado algo para acadar unha norma máis de consenso?

F: Estas pessoas amavam o que estavam fazendo, no ano 80 essa norma era a norma que ia ser, e de súbito “por surpresa” há um pacto entre Alianza Popular e umha instituçom também a priori galeguista. Há que por-se na sua mente, a sensaçom de frustraçom que devêrom ter. Os anos 80 fôrom anos mui duros, mui tensos. Hoje podemos dizer ‘cometêrom o erro de serem mui filológicos’, mas é um pouco injusto. Hà que estar na época, penso que todos teríamos agido coma eles.

Ainda no ano 89, para que vejades como estava o tema, um grupo de pessoas consegue a assinatura de quase todos os professores de língua galega pedindo umha mudança da normativa. Já levava seis anos funcionando a norma atual, a ILG-RAG, e mesmo havia a bastante constestaçom social para que os 70% dos docentes digéssem que essa norma nom valia. Evidentemente isso foi caindo, o movimento galeguista no fundo é fraco, e moita gente do reintegracionismo foi-se passando, e tampouco tem muito sentido criticar isso, era inevitável.

O REINTEGRACIONISMO HOXE

C: Que estratexias estades a aplicar hoxendía de cara a ser mellor entendidos na sociedade?

F: Fazendo umha crítica do passado, penso que fomos demasiado filológicos, e pretendíamos que toda a sociedade fosse filóloga, e nom tem sentido. Toda a sociedade nom pode ser nem filóloga, nem economista, mesmo agora com a crise que há, a imensa maioria de gente…

C: Si, dimo a min… por exemplo, o de Alemaña recortando gasto público é unha barbaridade. Dino premios Nóbel como Krugman, Stiglitz, Roubini… Pero facerlle entender iso á xente é difícil. Entón, aplicado a este tema, comentabas antes que desde o punto de vista filolóxico a norma oficial do galego é unha barbaridade, pero facerllo entender á xente é moi complicado.

F: Está claro. Mais do que umha barbaridade… se te paras a analisar e buscar contradiçons, encontras cinquenta mil. Mas, com esse discurso… a quem chegas? Chegas a nacionalistas, e nom todos…

C: Nalgún sitio lin o tema de que non ten sentido poñer ‘guerra’ con u.

F: Há tés um bom exemplo.

C: Mais en portugués escríbese tamén guerra…

F: Mas em português tem sentido, porque umha palavra como geral é com g, entom para nom pronunciar ‘gerra’ vai com u, guerra. E em espanhol igual, tés general, e escreves guerra com u porque senom pronunciarias ‘gerra’. Mas em galego oficial nom tem sentido porque o g nom vale para esse som.

É um exemplo que comentas a qualquer um pola rua e di-che “pois nunca o pensara”. Argumentos coma esse há cinquenta mil, mas insisto, nom podes fazer de todos os galegos filólogos.

Entom, como podemos chegar? Depende da gente. Como podemos chegar em Vigo, por exemplo, ou na Corunha? Eu penso que polo tema utilitário. Co tema identitário nom chegas, ou chegas a mui pouca gente. Meus irmaos vivem em Vigo, som castelhano falantes, e meu pai é de Samora, e isto felizmente permite-me ter umha visom mais equánime. É bom roçar-se com pessoas diferentes. Às vezes os nossos movimentos som um pouco gueto, e pensamos que todos pensam como nós. Entom como chegas a pessoas que pensam diferente que tu? Ou que falam castelhano, ou tenhem o galego como umha língua quase mais estrangeira que o inglês? Hoje há pessoas em Vigo que escuitam ao longo duma semana mais inglês do que galego: na rua nom se escuita, a TVG nom lhes interessa…

C: Bueno, imos coa pregunta máis dura de todas: Non credes os reintegracionistas que o galego ten xa demasiados inimigos?

F: Sim, mas o reintegracionismo é realmente umha estratégia para fazê-lo mais forte.

C: Eu refírome desde o punto de vista de que, por exemplo, un dos argumentos que nos botan en cara os castelán falantes que non queren saber nada do galego, os que queren vivir en Galiza como se vivisen en Murcia, é que realmente o galego é un idioma ‘inventado’, porque ten unha norma que se fixo hai vinte ou trinta anos, pero que se está a tocar continuamente e seguimos sen poñernos dacordo.

Entón, ese estar sempre revisando a norma do galego, por exemplo ata hai pouco coa norma…

Diego: … a do 2003, a normativa da concordia.

C: …tanto darlle voltas á norma non é contraproducente?

F: Sim. Por isso o que falávamos antes, hoje nom tem tanto sentido andar questionando isso. O mais inteligente hoje em dia seria conseguir para o português algum tipo de reconhecimento.

Na Galiza a língua vive-se de tres formas: há gente que vive o galego como algo incómodo; há gente que vive o galego como a sua língua, mas que a vive como sendo umha língua espanhola, nom rompe essa fronteira; e há pessoas que vivemos o galego como sendo umha língua internacional. Como conseguimos que todo o mundo fique contente? Essa é a questom.

Com normativas eu penso que é impossível, porque ao final é A ou B. Se jogamos a A ou B, ou perde A ou perde B. Agora, podia ser A e B. O tema seria conseguir para as pessoas que vivemos o galego como algo realmente internacional conseguir ter algum tipo de reconhecimento oficial, poder estar cómodos. E utilizar todo esse potencial para o conjunto da cidadania galega. É dizer: o português no ensino, os mass media em português, etc., isso é algo que na Galiza só um fanático pode estar em contra, porque com isso ganhamos todos.

Há vias por onde podemos ganhar todos. Tu conheces a dinámica de jogos?

C: Si!! Iso en economía é fundamental!

F: Entom, o tema é ‘eu ganho tu perdes’, ou ‘eu ganho tu ganhas’. E o que temos que buscar é o ‘eu ganho tu ganhas’. Mas eu concordo com vos, no tema da normativa eu nom perdo um segundo com isso.

C: Entón agora non estades tan centrados no tema da norma?

F: Nom. De facto se vês o nosso portal, o Portal Galego da Língua, realmente é isso: o tema dos cursos de português em Portugal, o tema da loja imperdível, e mais cousas que vam saindo. O tema é fazer ver aos galegos e às galegas que ser galego é maravilhoso, que nom é um coñazo, que é o que nos vendem continuamente.

Diego Iglesias e Valentim Fagim. Fonte propia.

 

Diego: É certo que á vista do público tedes pasado dun enfrontamento aberto coa norma ILG-RAG a unha actitude máis amigable, de coexistencia.

F: É questom de geraçons. Eu penso que a geraçom que viveu o tema dos 80 é lógico, está mui ferida por isso. Mas os sócios novos que vam entrando na AGAL é umha constante, insistem em nom perder o tempo com a norma, difundir o português, o português como oportunidade, etc. Somos gente nascida nos anos 70 e 80, e nom vivemos isso. Somos mais pragmaticos.

D: Na actualidade, o reintegracionismo adoptou novos soportes: internet, a industria editorial, e algunhas iniciativas empresariais, como a galicola.

C: Os da galicola tamén sodes vós??

F: Nom! Nom estamos em todas as partes! (risos) Mas esse é um tema mui bom, vam surgindo cousas que escapam das nossas maos, isso é maravilhoso. umha mudança mui importante que houvo é que antes estava todo mui centralizado. Nos anos 80 era a AGAL e pouco mais. E hoje há umha riqueza bestial.

Entre nós díze-se que ‘o reintegracionismo avança apesar dos reintegracionistas’. Porque às vezes os reintegracionistas somos terríveis, mas o bom de haver tantos grupos diferentes é que a riqueza é bestial, e fai com que cada vez seja mais difícil enquadrar-nos. Antes eram todos nacionalistas, e de esquerdas e independentistas. Hoje em dia no reintegracionismo tés de todo, desde a extrema direita à extrema esquerda, é um movimento mui difícil de enquadrar.

D: Existiria o reintegracionismo como o coñecemos hoxe sen o impulso que lle deu internet?

F: Eu penso que nom, porque hoje em dia nengum movimento social pode ter impulso se nom o tem na internet. Para nós foi umha bênçom, realmente. No ano 2001 nasce o PGL, e foi umha viragem espetacular. Foi quando nos demos conta que podíamos jogar a algo mais do que estar sempre no gueto. O Portal permitiu chegar a muita gente que nom teríamos chegado de nengumha outra forma pola via habitual de livros, congressos, etc.

C: En chuza gañades por goleada, eh!!

F: sim! (risos)

C: Xa que mencionas o Portal Galego da Língua, queria que nos explicarades aos que non vos coñecemos moito todos os organismos e ferramentas relacionadas co reintegracionismo. Por exemplo, está a AGAL pero está tamén a Academia Galega da Língua Portuguesa, etc.

F: A academia realmente é umha instituçom criada para difundir o reintegracionismo fora da Galiza. Está conseguindo cousas super boas.

C: Como meter mil palabras no dicionário priberam…

F: Isso é espetacular. O Priberam é o principal dicionário de português (nom há um dicionário académico oficial, porque nom há umha Academia da Língua). Agora, se um rapaz que está estudando português consulta o dicionário Priberam da Língua Portuguesa, pode comprovar que mil palavras galegas como ‘doado’, por exemplo, entram a formar parte do seu léxico. Vás ao Priberam e pôs ‘doado’, ou ‘fedelho’, e aparece “galeguismo” e o significado no sentido que o usamos nós.

C: É que eu creo que máis difícil que o que facedes aqui, é conseguir que Portugal ou Brasil ollen para nós.

F: A Academia está a demostrar que sim se pode comunicar com Portugal e com o Brasil, mas até agora ninguém se parou a fazê-lo com bastante intensidade. E ademáis o bom que tem é que é um parceiro que dá para comunicar, porque é umha academia. Quando vás com uma associaçom é mais complicado.

C: A Academia sodes vos tamén?

F: Somos 31 pessoas, a maioria estamos na AGAL pero quem o leva som gente diferente e estám indo por uma estratégia diferente.

C: E como funcionan organizativamente? Quen o financia?

F: Auto, auto…

C: Joder macho, esto non é negocio eh… (risas)

F: Claro, o tema seria co tempo ir conseguindo financiamento. O bom é que dá muita liberdade e que, como na AGAL, obriga-te a pensar moito. E saem projetos interessantes porque tés que dar-lhe à cabeça.

Outra cousa que conseguimos através da AGLP foi um trato para que a UAB, a Universidade Aberta de Portugal -como a UNED espanhola- se instale na Galiza. A AGLP está demostrando que, se se quer fazer, há campo para trabalhar com Portugal e o Brasil.

C: E outras ferramentas como o PGL, o dicionário e-estraviz, a loja imperdível, etc. todas elas si saen da AGAL.

F: Sim, todo isso sai da AGAL. Por exemplo, o dicionário estraviz tem 126.000 verbetes, é o principal dicionário galego na rede. Nom é por botar-nos flores, mas se fazemos umha racio entre quantos somos e os nossos produtos, nom está nada nada mal.

C: Comentábame Diego de camiño para aqui que a RAG neste tema, cero.

D: A RAG nin diccionario on-line ten…

F: Tem um, creio. Mas é bastante simples.

VALENTIM FAGIM

C: Para rematar esta primeira parte da nosa conversa, imos falar un pouco de Valentim Fagim. Como chegaches ata aqui?

F: Nacim em Vigo, portanto era castelhano falante. Minha mai era galega mas, como quase todos os galegos que fôrom para as cidades, renunciou a transmitir a língua aos filhos. E na adolescência, como passa a outras pessoas, tenho um período de questionar cousas. Começo a interessar-me pola língua, tento mudar de língua em Vigo mas nom sou capaz, é mui complicado, chama demasiado a atençom e estás mui isolado: com os amigos falas galego tu e ninguém mais, os pais e os irmans pensam ‘que está a fazer este homem?’, na escola era ainda mais complicado…

Mas entom na universidade mudo para Santiago, e em Santiago é muito mais fácil. Dou o passo. Entom começo a investigar, ler livros, etc. E um dia que tenho gravado foi um em que estava na ducha, e comecei a cantar umha cançom de Caetano Veloso: ‘Eu sei que vou te amar, por toda a minha vida…’

C: E dixeches “esto é galego”!!

F: Esto passou a mais gente. Eu penso que a música ajuda moito nisto. Se isto nom é galego…

C: A min pasoume con Grândola Vila Morena. “Concho, se isto é galego!!”

D: Eu teño un amigo, Marcos, que está agora na Polonia, e foi pasar uns días en Londres. E nunha visita a un acuário descubríu que había uns peixes moi agresivos, traídos do Brasil, que se chamaban en inglés ‘piranha’, con nh… Se os ingleses dicen piranha, igual ca nós, e o escreven con nh, por algunha razón ten que ser!!

C: Non, claro, con ñ non o van poñer!! (risas)

F: Entom isso, descobres o tema. E como todas as pessoas quando descobrem algo, há um primeiro período quase de apostolado -como Sam Paulo era?- que tés umha luz que che da e cais do cavalo, e passas o dia dando a vara à gente… (risos). E depois com o tempo vá-lo vivendo com mais naturalidade. Fizem-me sócio da AGAL no ano 2001, ano em que houvo umha mudança na direçom e também na perspetiva, e até hoje.

C: Fálanos do teu libro, ‘do ñ para o nh’.

‘Do ñ para o nh’. Fonte: agal-gz.org

 

F: Bom, sou professor de português…

C: Porque ti cando viñeches a Santiago foi para estudar filoloxía?

F: Sim, História e Filologia. Daquela nom era complicado fazer as duas porque só havia cinco matérias. Entom, pola minha experiência nas aulas vás recompilando muito material, e um dia dizes ‘vou por tudo isto ao serviço da gente’. Porque realmente, passar do galego oficial ao português, é fácil. Num ano, com uma dedicaçom mínima, consegue-lo.

Entom decidim fazer um manual hiperprático para isso. Algo didático. Antes o reintegracionismo nom fazia tanto isso. Por exemplo, as pessoas que nos anos 90 queríamos mudar ao reintegracionismo líamos o ‘Estudo crítico’. É um trabalho da AGAL, que técnicamente é espetacular, onde se analisa o galego oficial ponto por ponto. Mas é um libro que… caralho!! Nom é um libro que podas oferecer à tua moça…

Umha obsessom que eu tenho é a pedagogia. O meu livro anterior,’O galego (im)possível’ foi o mesmo: “vou fazer um libro hiperpedagógico, para que a gente poda entender porque defendemos o que defendemos”. A pedagogia é fundamental. Um erro do reintegracionismo é esse, sentar-se numa cadeira e dizer ‘eu tenho a razom, ide passando por aqui’. Essa atitude antes era bastante comum. Se o ecologismo fizesse o mesmo, se o feminismo fizesse o mesmo… zero. Tés que ir tu ate a gente. E criar materiais que as pessoas podan mastigar.

C: E hai algo máis en camiño?

F: Sempre há algo mais em caminho!! Conhecedes Opentrad? Foi feito pola empresa galega Imaxin Software que fai sobre todo engenharia linguística.

C: Din que Opentrad foi o responsable do ‘Desván de los Monjes’!!

F: Foi, foi! (risos) O responsável foi a pessoa que meteu isso e depois nom o revisou, nom é? Mas agora o tenhem solucionado porque tenhem um sistema que reconhece as palavras em maiúscula e nom o traduze.

Entom estou a fazer com Pichel Campos um livro cujo título seria ‘O galego é umha oportunidade’. A ideia é editá-lo em castelhano, em galego-português e em galego oficial. Vai ser um libro ‘hiper-hiper-pedagógico’, que poda ler quualquer pessoa e que seja capaz de fazer ver à gente que o galego é umha oportunidade, nom um problema. Buscamos chegar cada vez a um público mais amplo, inclusive á gente que nom pensa como nós.

C: É o que che comentaba eu ó principio, eu tentaría enfocar o voso traballo incluso á xente digamos ‘españolista’, ou que só fala castelán, pero facerlles ver que, dentro de España, e sendo tan españoles coma os demáis e o que queiras, pero o que nos distingue dun madrileño ou dun catalán é que temos unha potencia emerxente como é Brasil, e nós temos a capacidade de tratar cun chileno e cun arxentino, pero tamén cun brasileiro que non o ten unha persoa de Madrid. Abrirlle un pouco os ollos…

F: E Angola, que está a ser umha potencia emergente no cone sul africano.

CARVALHO CALERO

C: 2010 é o centenario do nacemento do primeiro Catedrático de Língua e Literatura galegas. Era este ó ano idóneo no que lle tiña que ser concedida á súa figura o Día das Letras Galegas?

F: Sem dúvida, sim.

C: E a que atribúes a negativa da Real Academia Galega?

F: Segundo Ferrín porque havia vinte pessoas mais para esse posto (risos). Nom sei se lestes umha entrevista que lhe fizérom em Tempos Novos, fizérom-lhe essa pergunta e ele comentava que como Carvalho Calero havia vinte mais. Segundo Ferrín é por isso, porque nom destaca bastante. Essa é a resposta oficial (risos).

C: E ti que pensas realmente por que é…

F: (risos) Nom, o que acontece é que é mui incómodo para eles. Ai tem que primar a valentia ou a covardia, e eu penso que primou a covardia. É dizer, ‘como fazemos para dedicar um ano a umha pessoa que questiona o que nós defendemos?’. Mas a valentia precisamente é isso, ser capaz de dedicar um ano a essa pessoa, isso seria espetacular, falaria mui bem deles. Mas claro, isso nom todo o mundo é capaz de fazê-lo.

C: E que actividades estades a desenvolver vós para reivindicar a figura de Carvalho?

F: Entre vários coletivos criamos um site (carvalhocalero2010.net) onde estám os áudios, os videos, um par de entrevistas, um debate que saiu na TVG no ano 87 que é mui recomendável, um debate entre ele e Constantino Garcia que é espectacular. Tendes que vê-lo, porque ai vê-se realmente qual é a visom que cada um tem da lingua e até onde podemos chegar com cada umha dessas visons.

Na AGAL estamos fazendo um projeto com o site komunikando, de música em galego. Um concurso que se vai chamar ‘musicar Carvalho Calero’, e que se trata de que os grupos apanhem um poema de Carvalho, ou um áudio e o transformem num sampler e fagam umha música. O dia 30 de outubro, que é o aniversário do seu nascimento, daremos a conhecer os ganhadores. É umha forma de demostrar que Carvalho Calero era umha pessoa moderna na sua ideia do galego no mundo, entom fazer o mesmo com a música.

E temos também umha campanha surpresa, mas como é surpresa, nom podemos comentar mais…

O ENSINO DE PORTUGUÉS NA GALIZA

C: Esta pregunta case cha tiña que ter feito ó principio da conversa, pero bueno, velai vai: ‘galego e portugués son a mesma lingua?’

F: De um ponto de vista social se galego e português fossem a mesma língua, a AGAL nom teria sentido que existisse. E se galego e castelhano fossem línguas diferentes, as equipas de normalizaçom lingüística nom teriam nengum sentido. Entom, a AGAL e as equipas de normalizaçom lingüística existem porque na Galiza há um conflito: que a nossa língua está sendo substituída polo castelhano, isto é um facto, e está-se misturando cada vez mais com o castelhano.

Por isso, de um ponto de vista social, galego e português nom som a mesma língua, por isso existe a AGAL, e o galego é um dialeto social do castelhano, por isso existem as equipas de normalizaçom, e a Mesa, etc.

E nós pensamos que isso é mau. É dizer, o facto de que a identidade da nossa língua esteja em questom é mau. E o facto de que as variedades do Portugal, do Brasil e de Angola sejam estrangeiras para nós, nom lhe vejo nengum tipo de beneficio. Se alguem mo pode explicar… Eu levo vinte anos lendo sobre isto, e ainda nom atopei umha razom pola qual para um galego é bom que o português seja umha língua estrangeira, que os brasileiros falem umha língua estrangeira.

C: Como explicas que despois de 30 anos de autonomía sigamos sen ensino obrigatorio de portugués?

F: É mais, como explicas que numa palestra que fizem há pouco numa faculdade, para uns 100 rapazes de 20 – 25 anos, onde preguntei “quantos de vós tivestedes um professor ou professora que vos mostrasse que graças ao galego chegades ao português?”, só onze pessoas levantassem a mao. Isso é patético. Ai há umha responsabilidade global, dos professores de galego mas também das pessoas que decidem os planos de estudo. Mesmo que defendam que som línguas diferentes, pois bem, que o defendam. Mas nom feches essa porta às pessoas.

Na Galiza temos umha vantagem competitiva, e parece como que se esconde. Ja nom é questom de que nom tenhamos ensino de português, que já é incrível, mas é que a geraçons e geraçons de estudantes nom se mostra que graças ao galego podem chegar ao português.

C: Eu nom me decatei realmente ata que me pasou o que comentei no blog, e que vós publicastes despois no PGL, cando fun primeiro a unha entrevista de traballo en Luxemburgo e logo quixen estudar portugués en Madrid. Entón pensei… manda carallo!! Está un banco español gastándose moreas de cartos para que os seus directivos estuden portugués, e a min dinme “tú no, que xa sabes de máis”. I eu nunca estudara portugués!!

D: Enlazando unha cousa coa outra, ainda que defendas que son linguas diferentes, non peches a esa perspectiva. É o que se fai en Luxemburgo, para eles son línguas diferentes luxemburgués e alemán, pero estudan ambas.

C: Eu polo que falei con eles, os luxemburgueses teñen claro que son “a mesma lingua”. Entre comillas porque cada unha ten a sua normativa e tal. Pero teñen unha visión do tema que moitas veces lle comento á xente cando falamos de reintegracionismo: tampouco pensemos, sobre todo os reintegracionistas, que aínda que ó final a xente se acabe concienciando de que temos un idioma de 300 millóns de falantes no mundo, sabendo iso digamos “e ainda así, prefiro manter para o galego a norma oficial”. Que é o que fan en Luxemburgo. Por iso a loita do reintegracionismo, penso eu, non debe estar nesta ou noutra norma, senón en abrir a xente á perspectiva internacional da nosa lingua.

F: Ai está.

C: En Luxemburgo son plenamente conscientes de que a súa língua é o alemán tras unha serie de alteracións históricas. Pero sendo un país independente reivindican ter a súa propia norma como para dicir “este é o noso idioma”. Pero eso si, non teñen xornais en luxemburgués, porque non ten sentido. Ninguén vai financiar un medio que vai chegar a cen mil persoas, cando esas mesmas persoas xa son plenamente competentes en alemán. Alí a xente lé os xornais alemáns, simplemente.

Caralladas dando a brasa. Que o entrevistado é Fagim, contra!!
Fonte propia.

Entón aqui podemos chegar á conclusión de decir”reivindicamos que temos unha norma galega, distinta da portuguesa”; ou o contrario, que son a mesma, iso que o decida a sociedade. Pero o que non pode ser é que os galegos non coñezamos a norma portuguesa, que nos vai abrir moitas máis portas que o galego oficial.

F: Sim, é como dizedes vós. É dizer, apesar de que os nossos argumentos eu penso que som mui bons, mesmo assim é certo que há pessoas que nom querem, que dizem ‘sim, o português é mui útil, mas eu quero umha língua só para os galegos’. A mim isso parece-me legítimo. Ora bem, imos buscar a forma de que os que nom temos esse esquema podamos estar cómodos. Eu nom vejo a necessidade de que desapareça o galego ILG, porque é certo que contenta umha parte da povoaçom galega.

D: Hai moreas de sistemas lingüísticos e gráficos no mundo onde para esas línguas se empregan paralelamente varios sistemas, e incluso varios alfabetos. Por exemplo o tártaro, as linguas túrquicas, os diferentes sistemas de escritura que teñen no chinés, no xaponés, etc. Non deberia haber problema en recoñecer por exemplo a normativa ILG como o’galego popular’, por exemplo.

F: Sim, eu penso que isso hoje em dia nom seria complicado de fazer. O tema é meter o português a um nível paralelo, para que tenha um reconhecimento oficial na Galiza. Isso é o mais complicado, mas fazendo isso, ganhávamos todos.

NOSQUEDAPORTUGAL

C: Como sabes, o meu blog -entre outros temas- trata un pouco de abrir os galegos ó universo lusófono, principalmente Portugal e Brasil. Entón sempre inclúo algunhas preguntas sobre Portugal e Brasil nas conversas, aínda que neste caso son máis acaídas que nunca. Entón… qué significou Portugal na vida de Valentim Fagim?

F: Como a quase todos nós, o que nos chama a atençom de Portugal é que é um sítio onde a nossa língua é normal. É o facto de estar num café, e pedir “um copo de leite morno” e nom ter que escuitar “y morno qué es eso?”. Ou os livros, o tema dos livros é fascinante. Vás a qualquer livraria à procura dum autor estrangeiro na tua língua e tés cinco, procuras na Galiza e nom há.

Portugal é Galiza com êxito. No fundo é isso.

C: E que referentes da cultura portuguesa nos podes aconsellar? En calquer campo, literatura, cinema…

F: Bom, eu certamente som mais pro-brasileiro. Portugal está ai ao lado e permite um trato humano, mas o que realmente me fascina é Brasil

C: Xusto Brasil ía ser a seguinte pregunta, así que podes dicir o mesmo pero do Brasil.

F: Eu do Brasil recomendaria evidentemente a música. Recomendaria um site, cotonete, um site tipo spotify onde ti crias a tua própria radio. Vás alí e pos ‘Os Mutantes’, que é um dos grupos brasileiros de que mais gosto. Entom o site crea umha emissora onde saem músicas parecidas. Eu recomendo para descobrir a imensa riqueza da música brasileira.

C: Brasil é algo ó que hoxe temos aceso grazas ás novas tecnoloxías…

F: Um dos últimos sócios que fizemos para a AGAL chama-se Jesus e tem 24 anos. Com ele vás vendo como vai mudando o esquema, porque lhe pregunto que música escuita, e mete-me aí 20 grupos brasileiros que eu alguns deles nem os conheço. Se um rapaz de 24 anos já está ainda mas à última que eu, que já estou à ‘super-última’, diz tu caralho!!

Graças à internet, as fronteiras caem, e o mundo fai-se muito mais pequeno. E podes ter amigos alá sem os ter diante. Mas comunicas, isso é o realmente importante. Duas variantes som umha mesma língua se pode haver comunicaçom. O galego e o português vam ser a mesma língua quando os galegos comuniquemos com certo hábito com portugueses e com brasileiros.

ACTUALIDADE

C: Moi ben, pois chegamos á última parte, e esta si é a máis política de todas…

F: Mui bem! (risos)

C: Como ves a batalla contra a lingua do goberno actual?

F: As línguas ou som umha oportunidade, ou som umha ameaça. E para este governo, o galego é umha ameaça. Este governo vê o facto de termos duas línguas como algo negativo, nom como algo positivo. Eu penso que Fraga nom era muito diferente, mas Fraga era mais inteligente e dissimulava um pouco mais. Hoje dissimula-se menos, e mesmo o governo Feijoo sente que tem mais apoio social para isso.

Realmente é umha imensa lástima, porque é o que falávamos antes: a nossa vantagem competitiva, o único que nos fai diferentes, já nom dum tipo de Múrcia, mas dum tipo de Portugal ou da Holanda, é isso: que sabemos espanhol, e temos o português a umha distância mui pequena. O lógico seria que o governo reduzisse essa distáncia, mas nesse sentido nom fai absolutamente nada, e por cima vai tirando todos os avanços que havia. Estám tentando tornar o galego nalgo inútil. E o inútil deixa de existir.

C: E cres que o galego está mellor ou peor que hai trinta anos?

F: A resposta é a típica. Qualitativamente melhor, quantitativamente muito pior. O tema é se umha cousa compensa a outra. Hoje em dia de cada 100 nenos que nascem, pode andar por volta de 10 que som educados em galego. Isso é moi pouco. Vivemos numa pequena fantasia, há muitos velhos que falam galego, mas de aqui a quarenta anos esses que nascem agora som 10%, pode que menos inclusive, porque podem perdê-lo ao longo da sua vida.

Entom, com cifras assim, nom dá.

Agora bem, se essa comunidade galego-falante fosse coesa, e fosse poderosa, e com o tema do português poderia ser poderosa, entom ai haveria algum tipo de esperança.

Dito doutro jeito: se conseguimos um esquema onde ser bilíngue espanhol-português fosse umha vantagem social, entom temos hipóteses. Se aos galegofalantes começa a lhes ir bem por conhecer o português, e chega o dia em que ser monolíngue em espanhol seja visto como algo pobre, se conseguimos isso teremos avançado bastante. Mas hoje em dia é ao revés, hoje em dia ser bilíngue é um problema.

Temos que lhe dar volta a isso.

C: E que medidas podemos tomar, todos, non só os gobernos, mais a pé de rúa, para revitalizar o galego?

F: Essa pregunta é super ampla. Pensando nos galegofalantes, eu o que lhes comentaria é tentade criar redes sociais que nos reforcem e nos apoiemos uns aos outros. Redes sociais de todo o tipo: lúdicas, profissionais, etc. Por exemplo, sei que a Mesa está a trabalhar num projeto duma lista de empresas que usam o galego. Eu por exemplo vivo em Santiago, e corto o cabelo cada mês e meio. Há umha moreia de sitios onde cortar o cabelo, mas eu sei que há um que tem todo em galego, chama-se Anil e entom eu vou a essa gente. Isso é rede social. Essa gente fica-me um pouco longe, a quinze minutos de aqui, e tenho outros sítios onde ir a dous minutos, mas tenhem todo em castelhano.

Temos que reforzar-nos uns aos outros, é quase como o movimento gai ou os judeus. Reforçar-se, criar lobby. Vistedes ‘Milk’, umha película dum activista gai que tem um dia umha ideia: vai a todas as tendas de um bairro de Sam Francisco e pregunta “nesta tenda ides tratar bem os gais?”, e fai umha lista com os responde afirmativamente, e umha outra cos que nom. E vai onde os gais e di-lhes “esta é a lista boa”. Em 5 anos as tendas que nom tratam bem os gais vam fechando, e as que sim, sobem.

Com o galego temos que fazer igual. O facto de que umha empresa queira usar o galego hoje tem um certo risco. A gente nom quer arriscar, ou nom quer aparecer como nacionalista. Entom a comunidade galegofalante temos que apoiar isso. E a forma de apoiar é saber que empresas e autónomos usam o galego em cada cidade. É algo super simples de fazer e é super poderoso.

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E ata aqui chegou a nosa conversa con Valentim. Nin sequera houbo unha despedida formal da nosa conversa porque, apagada a gravadora, continuamos a desfrutar da nosa charla e do chá ó que nos convidou.

Moitas grazas Valentim, e serva esta conversa como ponte para todos os que defendemos a nosa língua, “seja na norma que sexa”.

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